quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quem nunca se sentiu culpada ?

Então meninas ... desde que a Giulinha nasceu ando sofrendo por diversos sentimentos de culpa, remorso, arrependimento, realização e por aí vai.

Lendo o blog Casamenteiras, encontrei um texto que traduz exatamente tudo que ando vivendo. E confesso que ele fez com que eu me sentisse um pouquinho melhor e menos culpada por em alguns (vários) momentos me desesperar e querer a minha antiga vida de volta.

De mãe para mãe

“(…) sabe, a chegada de um filho é uma transformação imensa na vida. Do primeiro filho, especialmente. Durante a gravidez, a gente imagina mas não dimensiona totalmente como a nossa vida vai mudar quando aquela pessoinha chegar do lado de fora. Aí o bebê chega, e tudo vira de ponta cabeça. A gente já não é mais o centro das atenções como era qdo o bebê estava do lado de dentro, a gente tem saudades da barriga e da plenitude da gravidez, que é um momento que a gente se sente tão inteira, e o cansaço vem com tudo, o bebê acorda e acorda e acorda, e a gente tem vontade de gritar de cansaço e se culpa porque afinal de contas como pode não ser 100% feliz com aquele bebê lindo saudável gostoso tudibom ali do lado né? Mas é flor, é assim. Somos humanas, somos contraditórias e cabe tudo dentro do peito. As vezes é assim mesmo, tudo ao mesmo tempo agora. Eu me lembro que qdo as meninas eram pitiquinhas muitas vezes eu me fechei no banheiro e chorei, chorei de lavar a alma, de soluçar. Chorei porque tinha saudades de dormir a noite inteira, porque queria ser dona da minha vida de novo e escolher que hora ia comer e tomar banho sem ouvir um chorinho do lado de fora, chorei porque me sentia uma porcaria de mãe por estar chorando qdo devia estar cheirando e curtindo minhas bebês. Chorei sem nem saber porque. Eu acho q esse sentimento é legítimo, é intenso, e a gente tem o direito de viver. Ter um filho, acolhê-lo nesse mundo, é uma transformação. E transformação dói, pq pra se transformar a gente precisa deixar-se morrer um pouquinho. Uma pessoa que você foi está morrendo pra dar lugar a uma nova pessoa que está chegando. E você tem todo o direito de chorar a perda dessa pessoa. Mas não se esqueça que a nova que está vindo aí será sem dúvidas uma pessoa mais forte, mais apaixonada pela vida, mais consciente, mais safa, mais segura, mais entregue, mais determinada e mais um montão de coisas que os filhotes trazem de presente pra gente quando chegam ao mundo. Crescer dói, flor. E a gente cresce um bocado quando vira mãe. E dói, mas é bom. Porque é como se a gente crescesse pra ser um pouquinho mais do que a gente pode ser, entende? É como se os filhos alargassem os nossos horizontes, fizessem a gente descobrir um tanto de coisas que a gente pode, que a gente é, e nem sabia. Eles fazem a gente melhor. Porque quando eles estão aí, a gente quer ser pra eles tudo o que puder ser, pq eles merecem isso e muito mais. E sabe de uma coisa? Eles crescem. Tão rápido, tão. Esses primeiros dias são tão cheios de transformação que às vezes a gente se sente meio esmagada, pensando que nunca mais vai ter a vida de volta, que nunca mais vai ter um tempo pra ser só a gente mesmo, sem ser mãe. Dá um desespero inconfesso lá no fundo do peito de pensar que aquele serzinho vai ser sempre tão dependente, tão grudado, tão precisado da gente pra tudo. E a gente, onde fica? Mas a gente redescobre o nosso espaço, isso vem com o tempo. Eles crescem tão rápido, muito mais rápido do que a gente está preparado para aceitar. Quando a gente menos espera, aquele bebezinho que só chorava e mamava e tantas vezes não aceitava outro colo que não o nosso cria outros laços, descobre o mundo do lado de fora, quer explorar, desvendar. E aí a gente fica do lado de cá com o tempo embrulhadinho pra presente, pra fazer o que quiser com ele. Então vem o aprendizado de novo, a gente saber voltar a ser só a gente. A vida dos pequenos é feita de fases. Umas são mais exigentes e a gente leva mais tempo pra se acostumar. Outras a gente se adapta rapidinho. Mas o melhor de tudo é que todas elas dão uma saudade imensa quando a gente olha pra trás. Eu sei que nesse começo a roda-viva é tanta que a gente sente mesmo como se eles sugassem a gente todinho, sem deixar nada. E eles sugam, mesmo. Mas devolvem depois. Uma imensidão de alegria e aprendizado e colorido que nem que a gente quisesse dava pra retribuir. Chora, flor. Chora tudo o que quiser, pede abraço, pede colo, pede ajuda. Tudo isso é direito teu. Teu e dela, porque vocês vão passar por isso juntas. E tudo isso vai fazer parte do caminho lindo que vocês estão começando a caminhar, de mãos dadas. E vai te acostumando com esse aperto no peito, insistente, porque é assim: a gente ama tanto que dói. E vai doer pra vida inteira, mas é uma dor boa. É uma dor de vida, de amar por inteiro. É dor de inteireza.”


Autor desconhecido


E então ?? Para vc que é mãe ... você também já se sentiu assim ? Já chegou mesmo que seja por um minuto a se arrepender ?

Beijinhos

 

 

7 comentários:

Sol Balbino disse...

Acho que todas nós que somos mães nos sentimos assim, mas poucas tem coragem de admitir. Bj

Danee disse...

Eu não sou mãe, mas já ouvi e muitas amigas mães isso. Força!
beijocas

Flávia Shiroma disse...

Oi Maitê, quanto tempo... quantas e quantas novidades por aqui... Meu Deus! Bom, voltei a blogar e um dos primeiros blogs que vim ver foi o seu, que sempre admirei.

Ainda não sou mãe, mas esses assuntos relacionados à maternidade me atraem, afinal de contas já estou com 36 anos e já pensamos em ter um bebê.

No texto que você nos apresentou, senti muita emoção e identifiquei frases fortes que me chamaram bastante atenção: 'somos contraditórias...' / 'sentimento legítimo' / ...'Uma pessoa que você foi está morrendo pra dar lugar a uma nova pessoa que está chegando. E você tem todo o direito de chorar a perda dessa pessoa.'

Nunca senti isso Maitê, mas posso imaginar a sua angústia de, de repente, ter se permitido pensar que antes era melhor ou que o cansaço a fez se arrepender. Logo em seguida vem o sentimento de culpa por pensar essas coisas, mas aí é que vem mesmo a palavra contraditória!! Somos assim mesmo... E outra coisa, você é humana, não se cobre demais minha querida. Imagino que seja difícil não se cobrar porque vc quer ser a melhor mãe do mundo, mas você já é a melhor mãe, na medida do SEU possível!!!

Deus te deu uma vida e junto com esta nova vida a capacidade plena de cuidar dela da SUA melhor maneira, à sua maneira.

O texto foi tão brilhantemente escrito que qualquer comentário será redundante. Mas fique bem querida. Qualquer coisa conte comigo lá no blog, estou de volta!

Super beijo mamy!!!

Thania disse...

Ai Tete qdo a Anna nasceu eu chorava todo santo dia e dias nao santos tb!
Eu me sentia feia, cansada, uma pessima mae, uma pessima esposa, um caco.
Meu medico disse q era baby blues e q 97% das mulheres sentiam isso qdo o bebe nascia.

Mas eu sofria...pq eu deveria estar feliz e plena e nao estava.
Desabafei no blog sobre isso, procurei no google, fui atras...
Mas esse sentimento foi passando aos poucos.
Mas eu ainda sofro hj em dia, ainda choro de cansaço, mas é diferente.
Acho q cansaço sera eterno, ou pelo menos até os filhos crescerem mais.


Mas isso tudo nao ofusca e nem apaga esse amor de mae e filho.
Mesmo, por mais q a gente ache q esta ofuscando e a gente se culpa, se martiriza.
Mas Tete é normal.
todos esses sentimentos q a pessoa escreveu aí em cima eu senti. TODOS.

Sobre se arrapender...viiiiiiiiiiiiiiiiixe....rs...MUITAS vezes eu me peguei pensando: "pra q eu fui entrar nessa meu deus?????"...e me culpava por sentir isso, claro!
Ate hj me pego pensando em qdo eu era solteira, sem filho, q tinha liberdade de ir e vir...mas isso passa. Rapido. Pq a vida de mae nao nos da esse luxo...rs

Tete CALMA.
Lembra q eu sempre te falei q de facil,a maternidade nao tem NADA?
Nao tem mesmo.
Giulinha tem 1 mes ainda e muita coisa ainda tem pra acontecer entre vcs duas.
Daqui um tempo vc vai ver a cumplicidade de vcs duas q delicia. Dai as coisas começam a valer mais a pena. Agora eu sei q nao vale muito e vc se questiona, nao é? Toda mulher se questiona. Mas esse questionamento passa, acaba ou pelo menos diminui!

Um beijoooo!

Anita Campos disse...

Maitê sua filha é a coisa mais linda desse mundo,parabéns e td de bom nessa difícil e deliciosa fase.

beijos da fofolete
Anita

Marta disse...

Tetê, realmente chorei muitas vezes...isso pq tive o seio rachado e sangrando e Miguel teve muitas cólicas...o primeiro mês foi o pior...depois foi melhorando, mas ficou melho mesmo depois dos 3 meses....
Agora ele está super esperto, interagindo com tudo...dorme melhor, mama bem, não tem cólicas....éclaro que tem dias que está mais carinho...que não dorme tão bem...Fazer o quê???
É uma escolha nossa....pelo menos no meu caso, e acredito que no seu tb, foi planejado....então é aguardar que a fase mais crítica passe e saber que vem muita coisa boa e deliciosa por aí... E cace rápido mesmo... Parece que foi ontem que eu descobri estar grávida e que o tive....e ele já está com 5 meses e logo volto a trabalhar... A parte mais difícil...
Beijos para vc e para a linda!!!!!

Sandrinha disse...

Bom dia Tetê!
É super normal experimentarmos conflitos de sentimentos, nessa fase que vc tá vivenciando.Mas o mais importante msm, vc já tá fazendo, colocando amor em cada difilculdade,aprendendo e tentando acertar sempre.
Mil beijinhos p/ vcs!!